Arquitetura Poética:
construindo pontes para existência
In(concluso)
Zé Luiz do Candeeiro
O desejo,
pulsão de vida e morte
As fantasias,
descaminhos e norte
Os medos,
para o meu azar ou sorte
O amor,
minha fraqueza mais forte
Sem arrependimentos
neste corpo cansado
Somente sentimentos
Por entre os silêncios
é que tenho falado
Pois nem tudo que é dito
precisa ser escutado
E a dor no peito
que era estradeira
já faz um tempo
que, de alguma maneira,
aprendeu a ser,
mas ser só passageira
Deitado sobre a esteira
sob o céu de minha existência
tenho pressa em caminhar
mas a pressa da experiência
vou correndo em lentidão
entre as batidas do coração
faço do descanso a resistência
Ao longo de minha jornada
que espero estar na metade
ri, chorei, sinto saudade
errar fez parte desta estrada
As pessoas por mim magoadas
não me orgulho de erro algum
peço perdão a qualquer um
e ao mundo deixo minha poesia
na esperança de que algum dia
digam: ele foi “tantos, todos e nenhum”
Poema em agradecimento aos organizadores e às organizadoras da 3ª edição da Festa Literária Integrada de Monteiro, na qual fui homenageado ao lado da escritora Maninha Celestino.
É também meu sincero agradecimento à Rede Municipal de Ensino de Monteiro (PB), pela homenagem e pelo zelo com minha obra poética e minhas canções.
Este poema é um manifesto de agradecimento e de posicionamento diante da vida, cuja essência também se expressa pelo olhar artístico do fotógrafo Erley Ventura, responsável pela belíssima foto-poesia que ilustra a capa desta seção.
Por fim, pois nem tudo é inconcluso precisa continuar, dedico estes a minha família, aos meus amigos e amigos, aos meus cuidadores e amores que a vida me deu e há de me dar.