Homenagem ao Mestre, Yves Chevallard
Texto publicado em francês na ARDM (Associação de Pesquisas em Didática da Matemática)
Como dimensionar o papel que uma Pessoa pode exercer em toda uma comunidade internacional? Uma das pistas para essa nossa questão geratriz seria, dentro do paradigma do questionamento do mundo, fazermos novas indagações acerca dessa mesma pessoa. Quem é essa pessoa? Qual o seu ofício? Quem a conhece intimamente? De quais instituições a pessoa é ou foi sujeito?
Cada uma dessas questões mobiliza respostas que certamente levarão a novas perguntas. E, assim, falar de uma pessoa pode se tornar um verdadeiro percurso de estudo e pesquisa.
Este preâmbulo cumpre a respeitosa função de homenagear a memória viva daquele que é inspiração para toda uma geração de estudantes, docentes, pesquisadores e pesquisadoras ao redor de todo o mundo: nosso querido Yves Chevallard.
Neste momento de dor por sua partida, o luto se manifesta sob diferentes dimensões; por isso, por vezes, faltam palavras que possam mensurar o carinho que a comunidade brasileira da Didática da Matemática tem por Chevallard. Na falta dessas palavras, resta-nos olhar para o legado que ele deixa para a humanidade, por meio do seu trabalho e do seu exemplo de vida.
Talvez fosse suficiente fazer o registro de mais de uma centena de dissertações e teses defendidas no Brasil entre 2005 e 2026, nas quais a Teoria Antropológica do Didático foi a referência teórica principal. Dos seminários ministrados pelo próprio Chevallard, que transformaram trajetórias acadêmicas e de vida. A importância desses marcos se traduz na participação brasileira nas edições do CITaD, que construíram pontes, memórias e afetos.
Mas a vida que ainda pulsa, traduzida na palavra “saudade”, indica que as múltiplas relações pessoais da comunidade brasileira com a pessoa de Chevallard remetem a uma dimensão maior do seu trabalho: a transformação das escolas em sua função social, a educação matemática e a difusão dos saberes como ponto de partida para a construção de um mundo melhor.
Para aquele que amou o seu trabalho, a matemática e a vida, dedicamos nossa gratidão: por cada lição, pelo abraço e sorriso afetuoso, pela inspiração. Dedicamos também nossa solidariedade à sua família e aos amigos próximos. Em nós, resta a certeza de que sua memória permanece viva, pois agora sua obra está transposta para uma instituição da qual chamamos eternidade.
Obrigado, Yves.