Poemas em Rede
Antologia de minhas décimas imperfeitas
Já dizia o Poeta Neném de Alagoas:
“Quem cria um filho
Quer vê-lo voar sozinho
Quem corta suas asas
Fazendo cativo no ninho
Pode até ouvi-lo cantar
Mas não ouve o passarinho”
Gestei “Poemas em Rede” por mais de nove meses. Essa barriga demorada, sem marcar dia nem hora, deu à luz o meu primeiro filho na poesia. O ano era 2021, anos duros de pandemia, de desinformação. Cheirando a morte, a ignorância atrapalhava médicos, dilapidava a ciência para preservar suas ideologias de poder. Enquanto os profissionais da saúde cuidavam de tentar salvar o mundo, eu respirava sob máscaras, plantando e postando versos, num ritmo frenético que me deixou “doido de pedra e poesia”.
A curadoria e a amizade de Dr. Amiel Nassar Rivera me fizeram chegar a “Mentes Abertas”, que me abriu portas e preparou o parto.
Sobrevivi, continuei escrevendo, tanto que, só no ano de 2022, na mesma rede em que se balançava meu rebento, nasceram centenas de outros filhos, o dobro ou o triplo de décimas. Até que encerrei o compromisso de postá-las diariamente no Instagram @zlcandeeiro. Depois disso, outros filhos vieram, carregados de intenções, despedidas, esperas, declarações de amor à lua, cartas, manifestos, desabafos em versos livres ou metrificados, confissões silenciosas, alforrias, autoanálises, terapias, está tudo lá... meus filhos e filhas, meus amores, minhas dores, uma pontinha da vida do poeta.
Nesse sem-fim de criação, a diáspora que criou o Candeeiro me levou de volta para casa, para reconhecer-me, enxergar-me, cuidar de mim, amar-me primeiro. Então nasceu “Pisa, menino”, que vem puxando outra ruma de meninos e meninas, filhos meus e dos outros.
Pisando o barro da vida, como diz “A Mestra Mariquinha do Samba de Coco”, chegou a hora de soltar o primogênito. Até aqui, foram 3 reimpressões, todas esgotadas.
Na cabeceira de amigos e amigas, nas bibliotecas públicas de algumas cidades, em festivais, nos corações, nas ruas, nas calçadas.
Agora, mais uma vez na grande rede, mas não como gaiola. Porque as redes sociais já são um passado distante, pois no meu futuro tem digital que só se permite ser ancestral. Portanto, voa, meu filho: repousa, inspira, revolve, incomoda os céus dos corações que quiserem te acolher. Este nicho que foi teu céu ficou pequeno demais, então deixa um rastro de luz e poeira estelar, lembrança deste pai/poeta que te amará para além da memória.