Poemas Cotidianos:
sobres afetos & cafés
Faxina
Zé Luiz do Candeeiro
Já no primeiro despertar
escolhe com carinho
por onde vai começar.
Nunca é demais lembrar
nos dias de sol
abre as janelas
deixa a luz entrar.
Mas se o dia for de chuva
mesmo a sós
há sempre um sol em nós
pronto para brilhar.
Desapegue, lave, passe
regue, descanse, agradeça
deixe o silêncio falar.
Percorre cada cômodo,
onde causa incômodo:
é lá que deve estar.
É que tu és moradia
sua melhor companhia
fé, café ou chá...
Celebre poder viver
mais um dia.
Onde tua alma faz moradia
todo tempo é de cuidar.
Capsulana
Zé Luiz do Candeeiro
Partiu de peito apertado
Antes da despedida
Sussurrou: obrigado!
Aos seus ouvidos
Um abraço apertado
Brigadeiro e sorrisos
Em cada gesto delicado
Sabia que sua casa
É o seu templo sagrado
Assim como seu coração
Chegou todo perfumado
Não era uma xícara de açúcar
O que pedisse teria levado
Atendeu prontamente
Ao pedido inusitado
O afeto as vezes se revela
Num parafuso apertado
Há dias
Zé Luiz do Candeeiro
Há dias em que os “bons dias”
Nos parecem amargos
Com gosto travoso
Mas o café sem doce
Também é parte da dieta
Há amanheceres que não amanhecem
Que o sol se esquece de brilhar.
Que a chuva não vem para acalmar
Pode chorar em dias assim
Já diziam os poetas
Ao declarar que os dias brancos
Que parecem passar em branco
Ainda assim são dias
A dor é da vida e a vida é poesia
Que a fé, o tempo e o amor
Trarão a resposta certa
Bolo de Aniversário
Zé Luiz do Candeeiro
O amor pode estar
num pedaço de bolo
É como bolo de rolo
Camadas por desvendar
Feito para partilhar
Dispensa congelador
Pois bolo e amor
São para saborear
É o gesto de dar
Receita da felicidade
O amor que é amizade
Não carece explicar
O amor é para celebrar
Do afeto um relicário
Bolo de aniversário
Tem gosto de amar
Classificados
Zé Luiz do Candeeiro
Procura-se
Um amor
pra dividir streamings
Risadas
Algumas bolas de sorvete
Pipoca caseira
Finais emocionantes
Abraços apertados
Uma pausa no filme
Para um beijo
Um carinho
Na vida real
Nova Belém
Zé Luiz do Candeeiro
Se pudesse te contar
como foi meu dia
escolheria dizer
da falta que você faz.
Sim, as flores
sentem saudades.
É quase uma simbiose
precisam do sol do teu olhar,
do toque doce de suas mãos,
fertilizando a vida,
frutificando coisas boas
por onde passa.
A lua, também não é mesma!
Sua ausência é sentida.
A luz do seu sorriso
clareia as noites
mais escuras.
Por mais que te mande flores
ou fotografe a lua cheia
Ambas nunca serão plenas
sem a tua presença.
Café
Zé Luiz do Candeeiro
Sentou-se à mesa
Interessado
no amor
Aceitou um café
Sentindo
todo aquele
calor
A lagrima
no olho
Disfarçou
seu pavor
Café quente,
Paixão ardente
Quer mais?
Sim,
mas só o amor,
por favor.
Quereres
Zé Luiz do Candeeiro
Queria
que o verbo
não fosse
pretérito.
Imperfeito
que sou,
o querer
está sempre
sujeito.
É que ainda
não me
acostumei
direito,
com o direito
de dizer
que te quero.
De partida
Zé Luiz do Candeeiro
Não por acaso,
acaso quiserdes:
Vem!
Casualmente,
como quem sente
necessidade,
Vem.
Mas não é necessário vir,
acaso não quiseres,
porque não por acaso
também posso ir,
se tu me disseres:
Vem...
Amarração
Zé Luiz do Candeeiro
Quando for
a sua casa
Vou deixar
uma 3x4
esquecida
sob a mesa.
Quem sabe
com alguma
surpresa
Alguma força
sobrenatural
Me arrasta
na direção
do teu abraço
Preso,
vou desfrutar
da liberdade
de dizer
que só penso
em você
Sem culpa,
todos
vão entender,
afinal
deve ter sido
um trabalho feito.
Desses que
usam nossa
fotografia
E aquela 3 x 4
Não lembro
onde esqueci.
Descasados
Zé Luiz do Candeeiro
Faltamos
ao nosso
casamento.
Não foi
por falta
de sentimento.
Talvez
tenha sido
um livramento.
Mas, por ora,
nem
arrependimento.
Ou mesmo
um
descontentamento.
Só não teve o
acontecimento.
Mas, aconteceu...
E não lamento.