Ensaios de Transcendência
Cí.cli.co
Zé Luiz do Candeeiro
Sob a flor do croatá
O orvalho adormecido
Parece ter esquecido
A hora de levantar
Antes de evaporar
Captura a eternidade
Olhando com saudade
A pétala daquela flor
Despede-se de seu amor
E vai, elevar a umidade
Res.pi.ra
Zé Luiz do Candeeiro
Entre as pausas,
reticências, pontos e travessõe:.
Deixe o ar,
entrar, renovar teus pulmões.
Desapega,
expira, de dentro, as tribulações.
Com cuidado,
de si, do outro e dos corações:
Creia,
tenha fé, na força das suas orações.
Gênesis poética
Zé Luiz do Candeeiro
Se o pó do qual viemos
fosse (pó)esia,
o verbo se reificaria
em tudo que fazemos.
Do pão que comemos,
ao desejo que nos movia.
A poesia é o que daria
sentido ao que temos.
Seriamos versos livres,
noutras vezes metrificados.
Mas, nunca indiferentes,
a dor que o outro tem passado.
O tempo ressignificado
pelos sentidos renovados.
A poesia é o chão,
comunhão com a natureza.
Nela, tudo importa!
A partilha e o sentimento
são a sua riqueza.
Da (pó)esia que tu brotaste,
ao mesmo (pó)ema
haverás de retornar.
Porque o fim e o começo
estão sempre no mesmo lugar.
Maresia
Zé Luiz Candeeiro
Os corações de ferro
se erguem endurecidos.
Avançam mar a dentro
violentando a vida,
silenciando a emoção.
Deixam um rastro
de sangue, óleo e destruição.
Soberbos, os gigantes
cometem o erro fatal:
Subestimam e ignoram
a ferrugem do tempo
que há de reduzir a pó
tudo que é ferro no final.
Re.ci.pro.ci.da.de
Zé Luiz do Candeeiro
Dar-se sem
querer saber
da medida
que receberá
de volta.
Quanto mais
raro um evento
parece,
mais frequente
ele se torna
à nossa
volta.
Acaso não
sabeis:
a verdadeira
serendipidade
não é achar
o amor,
mas a amizade.
Pois, se amor
for metade,
melhor que seja
saudade.