POESIS Confessional
Missa do Galo
Zé Luiz do Candeeiro
Antes que o galo
cantasse
como Pedro
por três vezes
pronunciei
teu santo nome.
Em vão? Não.
Porque na minha
vã filosofia
nada foi em vão.
Na primeira
Sentimento
Na segunda
Lamento
Na terceira
Reconhecimento
Não te neguei
como na profecia.
Afinal, Pedro
era Santo
e tinha uma
Igreja por fundar.
Eu te assumi,
pois só eu sabia
que há amores
que não são,
mas sempre serão
eternos
como uma
profissão de fé.
Festival depois do Inverno
Zé Luiz do Candeeiro
O arrepio na pele
é prova indelével
de que tu habitas
meus pensamentos.
Nessa invernia
que não passa
o frio é só
um passatempo.
Em milhares
os poros
e os pelos,
em alto relevo
da minha alma
escrevem teu nome
numa revolução
quântica.
As ondas
de afetos,
emoções,
que tu provocas
se traduzem no
arrepio da pele.
Mesmo no frio
aquece.
Portanto,
Garanhuns,
Posso estar distante:
Mas se arrepio,
Logo, penso em você.
Mecânica Quântica
Zé Luiz Cavalcante
Vejo a pequena
roda-gigante.
Parada,
girando diante
de meus olhos.
Era a roda viva
da vida
que é gigante
além de mim.
No ponto
de embarque,
o início e o fim.
A cadeira 19
esperando os
passageiros.
Subornando
o desejo
na fantasia
do beijo,
no ponto
mais alto
da roda.
Solitário,
vejo o menino
que descobriu
os segredos
dos telhados.
Enojou-se
de quem cuspia
nos outros.
Quis voar,
mas simplesmente
desceu com segurança,
liberando a cadeira
para os próximos.
Olhou pro céu,
uma última vez,
e viu a cadeira 19 vazia.
Parada,
beijando as estrelas
que chegam atrasadas
no meu olhar.
Reconhecendo-se,
o menino e eu
nos distraímos
com outro brilho
do horizonte.
Não era a lua,
era apenas a luz
da girândola de fogos
que chega primeiro
que o som.
Arrebentação
Zé Luiz do Candeeiro
Já não cabe
ao paredão
de pedras
conter a
força da emoção.
Esconder-se,
quem sabe,
sob o véu
de delicadeza,
nas espumas
que as ondas
do mar
de meus olhos
provocam.
Senos e Cossenos
rompem-se
no espaço-tempo
cíclico dos sentimentos.
Só o que se sabe
é que a noite
de fantasia
quebrou com
a barra do dia,
brotou em
fina flor de poesia,
nas águas mornas
de minha alma.
Arrebenta
no arrebentamento
de meu beijo.
Me arrebata.
Eu ou me arrebento
nesse desejo.
Deixa a lágrima
ser o gozo
dos oceanos
emprenhados de vida,
arrebentando no barco
dos desenganos.
Festival de Massas
Zé Luiz do Candeeiro
Havia um
tamanduá
no formigueiro.
Ele não
foi pelas
formigas,
também
estava lá
pelo doce.
Por mais
uma dose,
preencher
o vazio
com mais
vazio.
Pois a
ressaca
do açúcar
é tão letal
quanto
o próximo
beijo.
Fissura
Zé Luiz do Candeeiro
As gavetas
da alma
estão
todas
reviradas.
A vista
se perde
à procura
vidrada.
Dando
zoom na tela,
inventando
coordenadas.
Procurando
nas árvores,
nos prédios,
nos sorrisos,
nada!
Não há
unhas
para roer.
Antes
estivessem
cravadas
nas minhas
costas
ou, quem sabe,
encravadas.
Nas duas
situações,
a dor
ensaiaria
presença.
Mas aqui,
nesse
quarto
abarrotado
de vazio,
ao menos
três
quartos
são da tua
ausência.