Bacurau:
é bicho da noite, menino
Hamelete:
em se avexe não, avexado
Neném de Alagoas*
Herotíldes e Herotoldes
Era um casal engraçado
Além do H de “home”
Diziam que só o nome
Tinha lhes aproximado
Vivendo juntos
Pensando em separado
Dividindo a cama
Tramóias e tramas
Pra manter o principado
Ela posando de fina
Ele polido e rogado
Jurando de pé junto
Que a missa do defunto
Não tinha encomendado
Acontece que a mentira
É um angu queimado
Quer saber a verdade
Dê um tico de autoridade
A quem xinga o delegado
Mas logo vem a paga
Pra quem foi injustiçado
Sossegue o facho
Pois não há despacho
Que salve o condenado
*Neném de Alagoas é um poema maldito como diria Abraão Romão. Ele não tem papas nem responde aos papas da língua. Ele não é Zé Luiz do Candeeiro, é o avesso dele mesmo no outro que se faz no universo inteiro, desses que nem Cavalcante nem Candeeiro falam, mesmo estando lá.